taria, Tinha de
escutá-la, amava-a, até a rainha confirmara, Joff teria de
punir o pai, era algo que os senhores esperariam, mas talvez
pudesse mandado de volta para Winterfell, ou exilá-lo para
uma das Cidades Livres para lá do mar estreito. Só teria de
ser durante alguns anos. Depois, ela e Joffrey estariam
casados. Uma vez rainha, ela poderia convencer Joff a trazer
o pai de volta e a conceder-lhe o perdão.
Só que... se sua mãe ou Robb fizessem algo de traiçoeiro, se
convocassem os vassalos ou se recusassem a jurar fidelidade
ou qualquer coisa , tudo estaria acabado. Seu Joffrey era
bom e amável, disso estava certa, mas um rei tinha de ser
severo com rebeldes. Tinha de fazer com que
compreendessem, t inha de fazê-lo!
- Eu... eu escrevo as cartas - Sansa disse a todos.
Com um sorriso quente como um nascer do sol, Cersei
Lannister inclinou-se e beijou-a suavemente na bochecha.
- Eu sabia que faria. Joffrey ficará todo orgulhoso quando lhe
falar da coragem e do bom-senso que mostrou aqui hoje.
Acabou por escrever quatro cartas. Para a mãe, a Senhora
Catelyn Stark, para os irmãos em Winterfell e também para a
tia e para o avô, a Senhora Lysa Arryn do Ninho da Águia e o
Lorde Hoster Tully de Correrrio. Quando acabou, tinha os
dedos rígidos, com cãibras e manchados de tinta. Varys tinha
consigo o selo do seu pai. Aqueceu a cera branca numa vela,
despejou-a com cuidado e ficou observando enquanto o
eunuco selava as cartas com o lobo gigante da Casa Stark.
Jeyne Poole e todas as suas coisas tinham desaparecido
quando Sor Mandon Moore levou Sansa à grande torre do
castelo de Maegor. Não haveria mais choros, pensou, grata.
Mas de alguma forma o quarto parecia mais frio sem Jeyne lá,
mesmo depois de ter acendido um fogo. Puxou uma cadeira
para perto da lareira, pegou um de seus livros preferidos e
perdeu-se nas histórias de Florian e Jonquil, da Senhora
Sheila e do Cavaleiro do Arco-Íris, do valente Príncipe Aemon
e de seu amor sem esperança pela rainha do irmão.
Foi só mais tarde naquela noite, enquanto deslizava para o
sono, que Sansa percebeu que se esquecera de perguntar pela
irmã...

Jon

- Othor - anunciou Sor Jaremy Rykker -, sem dúvida alguma.
E este era Jafer Flowers - virou o cadáver com a bota, e a
branca cara morta fitou o céu encoberto com olhos muito
azuis. - Eram ambos homens de Ben Stark.
Homem do meu t io, pensou Jon, aturdido. Lembrava-se
de como pedira para ir com eles. Deuses , era um
rapazinho tão verde. Se me t ivesse levado, podia
ser eu a jazer aqui . . .
O pulso direito de Jafer terminava numa ruína de carne
rasgada e osso estilhaçado deixada pelos maxilares de
Fantasma. A mão direita flutuava num frasco de vinagre na
torre de Meistre Aemon. À esquerda, ainda agarrada à
extremidade do braço, era tão negra como seu manto.
- Que os deuses tenham misericórdia - murmurou o Velho
Urso. Desceu do seu pequeno cavalo, entregando as rédeas a
Jon. A manhã estava anormalmente quente; gotas de suor
salpicavam a larga testa do Senhor Comandante como
orvalho num melão. Seu cavalo estava nervoso, rolando os
olhos, afastando-se dos mortos o mais que a rédea permitia.
Jon o levou alguns passos para trás, lutando para evitar que
fugisse. Os cavalos não gostavam daquele lugar. Na verdade,
Jon também não.
Os cães eram os que gostavam menos. Fantasma levara o
grupo até ali; a matilha de cães de caça mostrara-se inútil.
Quando Bass, o mestre dos canis, tentou fazer com que
sentissem o cheiro da mão cortada, tinham enlouquecido,
uivando e ladrando, lutando para escapar. Mesmo agora, ora
rosnavam ora ganiam, puxando as correias enquanto Chett os
amaldiçoava, chamando-os de covardes.
E só uma f loresta , disse Jon a si mesmo, e e les são só
cadáveres . Já vira cadáveres antes...
Na noite anterior, tivera de novo o sonho de Winterfell.
Vagueava pelo castelo vazio, à procura do pai, descendo até
as criptas. Só que dessa vez o sonho tinha ido mais longe do
que nas anteriores. Na escuridão, ele ouviu o raspar de pedra
em pedra. Quando se virou, viu que os jazigos estavam se
abrindo, um após o outro. Quando os reis mortos começaram
a sair, aos tropeções, de suas sepulturas frias e negras, Jon
acordou numa escuridão de breu, com o coração batendo
fortemente no peito. Nem quando Fantasma saltou para a
cama e lhe encostou o focinho no rosto conseguiu afastar
aquele profundo sentimento de horror. Não se atreveu a
dormir novamente. Em vez disso, subiu à Muralha e
caminhou, inquieto, até ver a luz da alvorada surgir no leste.
Foi só um sonho. Sou agora um irmão da
Patrulha da Noite , não um rapaz assustado.
Samwell Tarly encolhia-se sob as árvores, meio escondido
atrás dos cavalos. Seu rosto gordo e redondo estava da cor de
leite coalhado, Ainda não tinha cambaleado até a floresta
para vomitar, mas também não olhara para os mortos, nem
de relance.
- Não posso olhar - sussurrou com ar infeliz.
- Tem de olhar - disse-lhe Jon, mantendo a voz baixa para
que os outros não o ouvissem. - Meistre Aemon o enviou para
lhe servir de olh